10/03/2026 | 14:26 | Geral
Projeção atualizada do ciclo agrícola 2025/2026 foi apresentada na Expodireto. Danos devem ser menores do que no ano passado, mas se mantêm persistentes
Ao contrário das expectativas de safra cheia projetadas no início da temporada, o Rio Grande do Sul se prepara para colher outra frustração neste verão. Em estimativa apresentada nesta terça-feira (10) na Expodireto, em Não-Me-Toque, a Emater atualizou os dados e agora considera uma perda de 11,3% na soja, o principal produto da agricultura gaúcha.
São esperadas pouco mais de 19 milhões de toneladas colhidas da oleaginosa, abaixo dos 21,4 milhões de toneladas inicialmente calculados. O dado até aqui, contudo, é positivo diante do contexto: em 2025, a safra totalizou 13,2 milhões de toneladas do grão.
Para a produção total da safra, considerando os demais grãos cultivados na estação, a Emater projeta redução de 7,1% em relação ao que foi inicialmente projetado. No ano passado, foram 26,4 milhões de toneladas colhidas na temporada.
Claudinei Baldissera, presidente da Emater, ressalta que os dados apresentados mostram melhora em relação à colheita passada, quando os efeitos do clima sobre a produção agrícola foram ainda mais severos. No entanto, os danos seguem persistentes, o que novamente alerta para o impacto econômico tanto no PIB do Rio Grande do Sul quanto nas contas dos produtores gaúchos.
As perdas estão relacionadas à estiagem, que outra vez causa prejuízos. Assim como no ano passado, a falta de chuva atinge as lavouras de forma irregular, causando diferença de safra entre as região produtoras. A escassez hídrica no mês de janeiro, associada às altas temperaturas, foi crucial para a produção.
As regiões de Santa Rosa (-27%) e de Frederico Westphalen (-13,4%), no Noroeste, registram os maiores percentuais de perdas em produtividade, que é o quanto se produz por hectare, até aqui.
Se olharmos a região que está mais afetada, que é a de Santa Rosa, e ampliarmos a análise dentro dessa região, há municípios com áreas que vão de 50% a 60% de queda. Alguns produtores, inclusive, com perdas ainda maiores. O impacto econômico é importantíssimo e vem associado ao momento que os agricultores vivem, de carga de endividamento se acumulando ano a ano.
CLAUDINEI BALDISSERA
Presidente da Emater