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17/02/2026 | 20:05 | Geral

Jornada de até 12 horas, férias fracionadas e mais: entenda a reforma trabalhista proposta por Milei na Argentina

Projeto já aprovado no Senado deve ser votado na Câmara dos Deputados ainda nesta semana

Projeto já aprovado no Senado deve ser votado na Câmara dos Deputados ainda nesta semana
Presidente Javier Milei quer aprovação rápida de projeto. Luis ROBAYO / AFP

A ampla reforma trabalhista proposta pelo presidente da Argentina, Javier Milei, avança na mesma medida em que gera controvérsias no país. O projeto, já aprovado pelo Senado, deve passar agora por análise na Câmara dos Deputados. Para o dia da votação, que pode ocorrer ainda nesta semana, as principais centrais sindicais argentinas já convocaram protestos e uma greve geral.

Entre os principais pontos da reforma, estão alterações em relação a itens como:

  • horas trabalhadas
  • férias
  • indenizações após demissões
  • direito de greve

Executar uma reforma trabalhista, que Milei tem chamado de "modernização laboral", é um desejo do argentino desde que ele assumiu o cargo. Entre 2023 e 2024, o presidente incluiu uma proposta de reforma no pacote de decretos econômicos que promulgou em dezembro de 2023, mas a Justiça argentina suspendeu a medida em janeiro de 2024. 

Já em dezembro de 2025, uma comissão especial no Senado argentino começou a analisar a nova proposta de reforma trabalhista apresentada pelo governo federal. Após uma sessão que durou cerca de 13 horas, na madrugada da última quinta-feira (12), os senadores argentinos aprovaram o texto-base da lei com 42 votos a favor e 30 contrários. 

Defendida por setores empresariais, que pregam a redução dos custos para empregar, a reforma trabalhista tem gerado contrariedade entre as principais centrais sindicais argentinas. As entidades argumentam que a proposta fragiliza conquistas e direitos históricos. Durante a sessão que aprovou a reforma no Senado, milhares de trabalhadores protestaram em frente ao Congresso, e a polícia argentina acabou prendendo cerca de 30 pessoas.

Principais pontos

Uma das mudanças propostas que mais chama a atenção do público é o aumento do número possível de horas trabalhadas. Milei propõe ampliar o limite diário de oito para 12 horas trabalhadas.

O acréscimo seria permitido, sem o pagamento de horas extras e com um intervalo mínimo de 12 horas de descanso após a jornada cheia. O limite semanal seria mantido em 48 horas. Então, a jornada maior seria compensada com outras menores nos outros dias, se valendo de um banco de horas.

Em relação às indenizações após demissão, a regra atual prevê no cálculo um salário e mais pagamentos proporcionais referentes a férias, 13º e outros bônus. Já a mudança proposta exclui as férias, o 13º e os bônus do cálculo. As convenções coletivas, atualmente, seguem valendo mesmo após vencidas, até o estabelecimento de uma nova. Com a nova reforma, as convenções deixariam de valer imediatamente após seu vencimento.

A capacidade dos trabalhadores em organizar greves também é atingida pela nova reforma trabalhista. Atualmente, a legislação prevê que haja serviço mínimo em atividades essenciais. A mudança do governo federal exige operação entre 50% e 75% dos quadros em atividades essenciais ou de "importância transcendental".

Em relação às férias, a reforma propõe passar de um mínimo de 14 dias corridos obrigatórios para ter uma possibilidade de fracionar o direito em períodos de sete dias.

Em casos de doenças ou acidentes não diretamente relacionados ao trabalho, o trabalhador poderá receber somente 50% do salário-base se o evento decorrer de ato considerado voluntário e de risco, e 75% em demais situações.

Próximos passos

Após aprovação no Senado, a proposta foi repassada à Câmara dos Deputados. A votação deve ocorrer nos próximos dias, ainda nesta semana. 

O governo federal tenta impedir modificações que façam o texto retornar ao Senado, o que atrasaria a aprovação da lei. Milei deseja sancionar a lei antes de seu discurso em 1º de março, quando vai abrir as sessões parlamentares ordinárias. Para isso, a Casa Rosada negociou cerca de 30 alterações no texto original, buscando garantir aprovação rápida na Câmara dos Deputados. 

Em protesto, a principal central sindical da Argentina convocou uma greve geral para o dia em que a Câmara for debater o projeto. O chamado deve ter grande adesão. A confederação dos trabalhadores do transporte prometeu paralisação terrestre, aérea e fluvial.

Em defesa da reforma, o governo federal afirma que as mudanças ajudarão a reduzir o emprego informal, que afeta mais de 40% do mercado de trabalho, e a criar empregos, ao reduzir a carga tributária sobre os empregadores. Já os sindicatos filiados à Confederação Geral do Trabalho (CGT) consideram essas mudanças "regressivas" e "inconstitucionais" e prometem contestar a reforma na Justiça caso a lei seja aprovada.

Desde que Milei assumiu em dezembro de 2023, sua política de abertura da economia e de redução do tamanho do Estado provocou a perda de cerca de 300 mil postos formais de trabalho, segundo a AFP, o que teve forte impacto na construção, na indústria e nas economias regionais.

Fonte: GZH
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